Revista Hospital São Vicente de Paulo - 05

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    13-Mar-2016

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Revista Hospital So Vicente de Paulo

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revista do HospitalSo Vicente de PauloAno 2 Nmero 5 Dez/2011-Jan/2012Informativo bimestral do Hospital So Vicente de Pauloemergncia peditricade cara novacncer de mamaNovos estudos indicam como prevenir esse mal. peLe Bonita no veroAproveite ao mximo os momentos de lazer, sem prejudicar a sade. MudAr e MelhorAr, seMpreo incio de um novo ano o perodo em que paramos para refletir sobre conquistas e novos de-safios. sabemos que as glrias do passado no garantem o sucesso do futuro, mas as aes do hoje realmente nos preparam para o amanh. por isso, durante 2011, o hsVp se empenhou em manter a busca pela excelncia dos servios prestados, por meio, principalmente, da renovao da governana e da reavaliao de nossa vocao mdica. em 2012, prosseguiremos com essas aes, com o incio de obras de expanso dos setores de emergncia e do CTI, e com a implantao dos novos institutos e centros conceituais de atendimento, alm de aprimorar cada vez mais os processos internos, fazendo jus o selo de acreditao da Joint Commission International, conquistado desde 2008. um dos acontecimentos mais marcantes do ano que passou foi a implantao do novo sistema de informtica (erp), que vai facilitar a gesto do hospital, garantindo maior integrao entre os setores e mais agilidade e segurana no atendimento aos pacientes. hoje, o sistema Tasy j se encontra em operao para o setor administrativo e deve ser implantado gradativamente na rea assistencial a partir de fevereiro. o hospital tem promovido ainda obras de infraestrutura que traro mais segurana para todos: colaboradores, pacientes e acompanhantes. da mesma forma, a emergncia peditrica tambm foi remodelada e agora conta com uma nova equipe, pediatras de planto 24 horas por dia e todos os equipamentos necessrios a atendimentos de alta complexidade. Foram vitrias importantes, comemo-radas por todos, inclusive por nossos pacientes e seus familiares. e, falando em comemorao, no nos esquecemos, nem por um minuto, dos sentimentos de grati-do e de humanismo que sempre permeiam as aes e os objetivos deste hospital. No toa, trouxe-mos para esta primeira edio do ano duas lindas histrias de trabalho voltado ao prximo. A Casa da Criana lar so Jos, no municpio de so Joo de Meriti, uma entidade filantrpica mantida pela Associao so Vicente de paulo, que presta atendimento educacional gratuito a crianas de familias menos favorecidas, com idades da creche ao pr-escolar. J a empresria lucinha Arajo, fundadora da sociedade Viva Cazuza, dedica seus dias ao cuidado das crianas portadoras do vrus hIV. Nessas matrias, voc conhece um pouco sobre essas duas importantes obras e confere como ajud-las. Afi-nal, fazer o bem sempre uma tima receita para comear o ano com o p direito.desejo a todos um feliz 2012 e uma tima leitura.Irm Marinete Tibrio diretora executivasuMrIo eXpedIeNTeHospital so Vicente de paulo Rua Dr. Satamini, 333 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ Tel.: 21 2563-2121 Fundado eM 1930, pelas Filhas da Caridade de So Vicente de Paulo diretoria MdicaEliane Castelo Branco (CRM: 52 28752-5)conselHo adMinistratiVoIr. Marinete Tiberio, Ir. Custdia Gomes de Queiroz, Ir. Maria das Dores da Silva e Ir. Erclia de Jesus BendineconselHo editorialirm custdia Gomes de Queiroz - Diretora de Enfermagemirm erclia de Jesus Bendine - Diretora da Qualidadeirm Josefa lima - Coordenadora da Pastoral da Sadeirm Marinete tibrio - CEO do HSVPMartha lima - Gerente de Hospitalidadeolga oliveira - Gerente de Suprimentos proJeto editorial e redaoSB Comunicao tel.: (21) 3798-4357edio: Simone BejateXtos: Maria Cristina Miguez, Igor Waltz e Sonia PedrosadiaGraMao: Sumaya Cavalcanti apoio editorial: Cludia BluvoliMpresso: Sol GrficaArtigoNovo sistema de informticapele bonita e saudvel, apesar do solum mdico de visoFebre: um bom sinal de defesa imunolgicadieta saudvel combate o cncer de mamapor um futuro melhorpor um 2012 mais saudvelpreveno no pode sair de modaAtendimento humanizado aumenta adeso ao tratamento16,1718714,1512,1310,118,9465colaBore coM a reVista do HsVpEnvie suas dicas e sugestes de pauta para: jor@sbcom.com.brAno novo, vida nova. A mxima po-pular vem junto com as promessas de um ano mais saudvel. o desejo de uma vida menos estressante, novos hbitos alimentares, o incio da prtica de exerccios fsicos e at o abandono da bebida e do cigarro povoam con-sultrios e clnicas logo nos primeiros meses do ano. para que essa mobilizao no fique s na inteno, especialistas em sade do hospital so Vicente de paulo (hsVp) ressaltam que a deciso de mudar deve partir de cada um. A pneumologista Christina pinho ressalta que esta uma das pocas do ano em que os fu-mantes mais se comprometem em largar a de-pendncia ao cigarro. estar de fato mobilizado, mesmo que ainda no esteja 100% pronto, , sem dvida, o primeiro passo. procurar um pneumo-logista, pedir ajuda, comear a caminhar numa trajetria para o abandono melhor do que ficar em casa esperando um bom momento, afirma a mdica. ela ressalta que, alm da fora de vonta-de e do uso de medicamento, preciso evitar ga-tilhos - como o uso do lcool, o caf e o estresse - para evitar as recadas: preciso substituir os velhos hbitos por novos, como passar a tomar chocolate ou ch, s beber em ambientes onde proibido fumar, conversar com os amigos fuman-tes por telefone ou e-mail, enfim, cada um deve pensar bem nesses gatilhos e como combat-los mesmo antes de parar. A atividade fsica tambm ajuda a deixar a vontade de lado. Nada de exageros Alimentao e exerccio fsico: essa a com-binao perfeita para quem quer perder os qui-linhos extras. Mas simplesmente fazer dieta e malhar, sem orientao profissional, no a soluo ideal para quem deseja emagrecer com sade. Cyro Vargues, chefe do servio de Cardio-logia Intervencionista e hemodinmica do hsVp, lembra que preciso ter cuidado. sair por a pra-ticando atividade fsica pode gerar sobrecargas cardiovasculares, como aumento da presso ar-terial e desenvolvimento de arritmias. por isso, fundamental realizar um check up antes de iniciar uma atividade fsica. necessrio saber como esto as condies cardiovasculares e osteomus-culoarticulares para escolher qual a atividade fsi-ca mais indicada as suas condies fsicas, faixa etria e peso corporal, assegura. para a endocrinologista Ana Cristina Belsito, a combinao alimentao e atividade fsica a melhor frmula para uma vida saudvel, pois alm de melhorar a disposio e a autoestima e reduzir o estresse dirio, a prtica de exerccios facilita que a pessoa se acostume com a combi-nao alimentar e melhore seu condicionamento cardiovascular, afirma. A mdica alerta que die-tas radicais, milagrosas e rigorosas demais can-sam a pessoa e promovem um emagrecimento rpido, mas pouco durador: esses tipos de dieta induzem o indivduo a comer igual ou mais aps a aquisio do peso desejado, pela privao emocional e alimentar que causam.praticar exerccios fsicos, de forma orientada; fazer dieta equilibrada, recomendada e acom-panhada por especialista; no fumar; contro-lar a presso arterial, junto com acompa-nhamento mdico; no se iludir com falsas promessas de emagrecimento rpido e milagroso; e dormir bem so algumas recomendaes de nossos especialistas para voc ter mais qualidade de vida em 2012. Tudo isso, regado com muito amor, pois, como dizem os poetas, o amor o melhor remdio para o corao e o bem viver, indica o inspirado Cyro Vargues.Por um mAIS SAuDVelhospital so Vicente de paulo - pg. 4hospital so Vicente de paulo - pg. 5AteNDImeNto HumANIzADo AumeNtA ADeSo Ao trAtAmeNto Agilidade, instalaes e equipamentos efi-cientes, equipe mdica e de enfermagem empenhada em identificar as reais neces-sidades do paciente, no apenas do ponto de vista fsico, mas tambm psicolgico, social e es-piritual. essas so as caractersticas principais do chamado atendimento humanizado, que bus-ca proporcionar bem-estar e qualidade de vida, desde a chegada unidade de sade. segundo Adriana Costa, gerente de enfermagem do hsVp, se, por um lado, essa prtica aumenta o senso de comprometimento do profissional - que passa a ver o paciente no como um doente, mas como uma pessoa que precisa de cuidado -, por outro, tambm amplia sua confiana no profissional de sade, tornando mais efetiva a trajetria at a re-cuperao. A humanizao tem uma interfern-cia direta na cura do paciente e contribui de ma-neira significativa para o seu bem-estar e melhora os ndices de adeso ao tratamento, explica.o conceito de humanizao no novo. sur-giu no final de 1950 e vem amadurecendo nas ltimas dcadas. No passado, o foco da assistn-cia era tratar a doena e garantir a sobrevivncia. A humanizao emerge para nivelar o cuidado mdico integral ao mesmo patamar de impor-tncia que dos avanos tcnicos e cientficos em medicina. para que o atendimento humanizado ocorra em sua totalidade, fundamental o en-gajamento de todas as instncias do hospital. A equipe multiprofissional precisa estar consciente da importncia de ouvir e compreender as de-mandas do paciente. Alm disso, os processos devem ser menos burocrticos, permitindo que o profissional passe mais tempo ao lado do pacien-te e possa trat-lo de forma individual, no como um nmero de pronturio ou pelo nome de sua doena, explica.Trabalhando no hsVp desde que se formou em enfermagem, h 19 anos, Adriana defende que uma verdadeira assistncia em sade no existe sem humanizao. A palavra paciente mui-tas vezes est impregnada de uma certa ideia de passividade, de dependncia do profissional de sade. Na verdade, ele deve participar, ser ativo no seu processo de cura. por isso, alm de bem informado sobre tudo que envolve seu tratamento, ele tambm deve ser ouvido em relao s suas expectativas e necessidades emocionais explica a enfermeira. e complementa: por isso, uma das palavras de ordem do atendimento humanizado a empatia. o profissional deve se colocar no lugar do paciente, ou realizar um trabalho me-ramente mecnico.o foco eminentemente tcnico do atendimento foi durante muitos anos a grande queixa de pacien-tes nos sistemas de sade pblico e privado. No fi-nal da dcada de 1990, o Ministrio da sade (Ms) realizou uma pesquisa com os usurios do sistema nico de sade (sus), que indicou que o aspecto mais valorizado era o respeito no atendimento. Como resposta, foi criada em 2000 o programa Nacional de humanizao da Assistncia hospi-talar, mais tarde transformado na poltica Nacional de humanizao. Criada para o sus, essa poltica tambm serve de parmetro s instituies privadas, mas, de acordo com Adriana, o hsVp j conta com uma longa tradio de atendimento humanizado, desde a sua fundao. Aqui no temos uma polti-ca nica de humanizao; todas as normas, proce-dimentos e polticas do hospital so norteados pelo atendimento com foco nas pessoas, no apenas em parmetros tcnicos, afirma. Ao ingressar no hospital, o colaborador tambm recebe treinamento que valoriza o ser humano, desenvolvendo sua sen-sibilidade para ouvir os pacientes.hospital so Vicente de paulo - pg. 6entre 1980 e 2011, o Brasil registrou 67 mil casos de aids entre jovens na faixa de 15 a 24 anos, de acordo com o Ministrio da sade (Ms). Grande parte deles nascidos aps o surgimento dos primeiros casos de hIV, no viram o impacto que a doena trouxe h 20 anos e no deram a devida ateno s formas de contgio. para falar diretamente a esse pblico sobre pre-veno da aids, a sociedade Viva Cazuza, o Ms e a unaids lanaram, no fim de 2011, o 1 prmio Cazuza de Vdeo. A ideia do concurso estimular jovens de todo o Brasil a produzirem vdeos edu-cativos a serem veiculados na televiso perto do Carnaval. Nesta entrevista, lucinha Arajo, fundadora da sociedade Viva Cazuza, conta que o prmio uma maneira de manter vivo o debate em tor-no da aids. para ela, apesar de os antirretrovirais prolongarem a vida dos pacientes, eles acabaram mascarando para a sociedade toda a severida-de da doena. Muitos veem soropositivos com aparncia saudvel e acabam acreditando que a aids de fcil controle. As pessoas no podem prescindir da proteo, afirma lucinha.Como surgiu a ideia do prmio Cazuza de Vdeo?lucinha Arajo: A palavra aids saiu de moda. Graas aos medicamentos, no temos mais a ima-gem das pessoas debilitadas, como era no incio da epidemia. As pessoas esquecem a gravidade da doena e no se protegem. por isso, criamos um prmio voltado para o pblico entre 15 e 24 anos, como forma de estimular o debate a respei-to da doena. um jovem entende a linguagem do outro, e ns precisamos urgentemente de novas abordagens para falar de preveno.Como comeou seu trabalho de luta contra a aids?l.A.: em 1990, trs meses aps a morte do meu filho, eu criei a sociedade Viva Cazuza. Na po-ca, a aids era uma doena cara. Ns pudemos levar o Cazuza para se tratar nos euA, mas eu queria trabalhar pelas crianas que no tinham condies. hoje so 27 crianas e adolescentes, que so como filhos para mim. Ns oferecemos apoio peditrico, graas a parcerias com mdi-cos, dentistas e psiclogos. Alm disso, temos ainda um programa de adeso ao tratamento para adultos sem condies financeiras. Aqueles que provam que seguem risca o tratamento ga-nham mensalmente uma cesta bsica. Quais so os maiores desafios de trabalhar com filantropia no Brasil?l.A.: hoje, nossa entidade mantida em parte pelos direitos autorais do Cazuza e da ajuda go-vernamental, mas isso no cobre todas as nos-sas despesas. Ns recebemos gratuitamente os antirretrovirais, mas temos gastos com outros medicamentos, com alimentao, vesturio, etc. eu gostaria muito que meu trabalho servisse de exemplo, mas eu sei o quanto difcil dedicar-se quase integralmente a isso. Apesar das dificulda-des, por outro lado muito prazeroso. eu aqui recebo mais do que ofereo. Meu filho dizia que o trabalho enobrece o homem e a sociedade foi a minha salvao na poca. Cada uma das 75 crianas que j passaram por aqui representa uma vitria para mim.PreVeNo No PoDe SAIr De moDAsociedade Viva Cazuza lana prmio para estimular o debate sobre a aids entre jovens de 15 a 24 anos hospital so Vicente de paulo - pg. 7Pele boNItA e SAuDVel, APeSAr Do Solpoca do ano requer cuidados redobradosMedidas preventivas para o veroevitarohorriodeexposiosolarentreas10heas16h;passarfiltrosolar30minutosantesdobanhodesol,comocorposeco,ereaplic-loacada2horas;evitardeixararoupasecarnocorpo;secarbemasreasdedobras,principalmentevirilhaeentreosdedos;usarsandliaesemprecobrirasuperfcieondesentaroudeitar;evitarsubstnciasctricas,perfumeseleosaoseexporaosol.o vero a estao preferida pelos brasi-leiros. Nessa poca, ideal prtica de atividades ao ar livre, as pessoas ficam mais expostas radiao solar, picadas de inse-tos, calor e diversos poluentes. o aumento da transpirao e da umidade do corpo, alm da maior exposio solar, colaboram para o surgi-mento de queimaduras e doenas de pele, como micoses. por isso, a dica redobrar os cuidados com a pele para aproveitar ao mximo os mo-mentos de lazer, sem prejudicar a sade.A exposio solar traz benefcios (auxilia a absoro da vitamina d e fixa o clcio no orga-nismo), mas pode causar problemas quando em exagero e sem os devidos cuidados com a pele. de acordo com roberto Francisco Favilla ebe-cken, chefe do setor de dermatologia do hospi-tal so Vicente de paulo e membro da sociedade Brasileira de dermatologia, nos meses do vero, h um aumento da procura ao ambulatrio de dermatologia. A maioria dos atendimentos est relacionada ao abuso da exposio solar, como queimaduras de 1 e 2 graus que podem, inclu-sive, gerar a formao de bolhas na pele. o dermatologista orienta para o uso correto do protetor solar, que deve ser espalhado sobre a pele seca at trinta minutos antes do banho de sol e a cada duas horas durante a exposio. Alm disso, deve-se evitar o horrio entre as 10h e as 16h, quando a radiao atinge seu ponto mais alto, completa roberto, que tambm alerta so-bre o perigo dos bronzeadores caseiros, que podem causar queimaduras graves.As recomendaes do especialista no so poucas. preciso evitar o uso de perfumes e leos antes do banho de sol e a ingesto de sucos de frutas ctricas como suco de limo, laranja ou caju. A interao desses produtos com o sol pode causar um problema conhecido como fitofotome-lanose, queimadura caracterizada por manchas escuras e formao de bolhas nos lbios e no dorso das mos.dermatoses embora a grande maioria das dermatoses seja tratvel, o dermatologista recomenda medidas sim-ples para evitar que o incmodo seja maior ainda. problemas simples como Tinea pedis, conhecida popularmente como p de atleta, podem ser uma porta de entrada para infeces bacterianas mais graves, como a erisipela. outra doena que vem aumentando em incidncia a Tinea cruris, que afeta a regio da virilha. Nos ltimos anos, cres-ceu a moda entre os rapazes de usar bermudas para ir praia. Isso faz com que essa regio fique mais sujeita umidade e temperatura mais alta, formando o ambiente propcio para micoses, ex-plica roberto ebecken. o mdico ressalta tambm o aumento da incidncia da Larva migrans (bicho geogrfico), decorrente da penetrao na pele dos ps, coxas e ndegas de larvas presentes nas fezes de ces e gatos, que esto deposi-tadas na areia de praia e campinhos de futebol.Por um Futuro melHordar educao, sade e muito carinho a crianas carentes, proporcionando um crescimento sadio e oportunidade a quem tem poucas opes na vida. Com essa misso, a creche e pr-escola Casa da Criana lar so Jos atende gratuitamente as crianas da cidade de so Joo de Meriti, municpio da Baixada Fluminense. Mantida pela Associao so Vicente de paulo h 48 anos, a Casa da Criana lar so Jos acolhe a cada ano duzentas crianas, com idades entre quatro meses e cinco anos. so crianas que per-tencem a famlias que esto abaixo da linha da pobreza e que no teriam condies de arcar com os custos da assistncia que a instituio oferece, como atendimento mdico, aulas de alfabetizao e refeies dirias.para as irms, professoras e demais funcio-nrios, a alegria de acompanhar o crescimen-to saudvel das crianas e ver os resultados, suas mudanas de comportamento e seu pro-gresso, supera qualquer dificuldade do cami-nho. Foram tantas as alegrias nesses anos todos. Mas minha maior satisfao quando vejo que as crianas j sabem ler o prprio nome. muito bom e gratificante saber que elas aprenderam aqui, diz, entusiasmada, a Irm Maria rita rangel Figueiredo, h onze anos trabalhando na instituio e diretora at dezembro de 2010.Momentos de alegria no faltam a quem tra-balha na Casa da Criana, mas a Irm Maria rita destaca o caso de um ex-aluno que, emocionado, esteve l para agradecer e contar que agora era advogado. ele tinha acabado de passar na pro-va da ordem dos Advogados do Brasil (oAB) e fez questo de vir aqui visitar o local que lhe deu oportunidade de melhorar de vida, relata. Quan-do criana, o advogado chegou ao lar so Jos, trazido pela me, com os dois irmos, que tambm receberam os cuidados da creche-escola. Come-ava ali uma nova fase da sua vida. ele ainda se sente grato pelo bom tratamento que recebeu aqui, orgulha-se a Irm. para algumas mes, o lar so Jos a nica forma de poderem trabalhar e sustentar suas fa-mlias. Mas, para muitas outras, a casa assume o papel de garantir a sobrevivncia dos filhos. Alm de educao e carinho, a maioria das crianas que chega precisa mesmo do bsico: roupas, cuidados mdicos e alimentao, explica a Irm Maria rita. A balconista Cristiane Andrade Ferreira de souza pagou, com muita dificuldade, uma pessoa para olhar o filho, Isaque, antes de conseguir ma-tricul-lo na creche-escola, quando completou um ano de idade. hoje, dois anos depois, ela come-mora o desenvolvimento do menino e a economia financeira, que melhorou a qualidade de vida da hospital so Vicente de paulo - pg. 8hospital so Vicente de paulo - pg. 9famlia. o ensino l muito bom. Fico muito feliz, porque sei que ele ter um futuro melhor, diz. h tambm casos de crianas com necessida-des especficas (dificuldades de aprendizado, por exemplo) que s podem ser identificadas, avalia-das e atendidas por determinados profissionais como professores, mdicos e psiclogos que, na instituio, encontram-se disponveis e dispostos a atend-las. uma enfermeira est diariamente de planto, durante o horrio de funcionamento da creche-escola (das 7h s 17h), para qualquer emergncia. uma mdica pediatra atende na ins-tituio duas vezes por semana, garantindo a as-sistncia mdica das crianas. e, pelo menos uma vez por semana, uma psicloga visita a casa e d consultas quelas que precisam de acompanha-mento especializado. A professora Mnica oliveira de souza, que trabalha h dois anos na Casa, comenta a feli-cidade e emoo que ver crianas, de incio com problemas de disciplina, concentrao e at fala, desenvolvendo-se e superando dificuldades. Quando cheguei aqui, percebi que as crianas tm comportamento bem caracterstico. elas so carentes, algumas vm de lares desestruturados e muitas eram criadas na rua, j que as mes no tinham como pagar algum para olh-las. ento, nosso trabalho direcionado para acalm-las e educ-las. muito bom ver aquelas aluninhas - antes com problemas de concentrao - conse-guindo manter-se sentadinhas e copiando a mat-ria do quadro, comemora.entre as muitas experincias que fazem Mnica se sentir gratificada est a de C. X., de cinco anos. em decorrncia de questes familiares, as profes-soras detectaram problemas de fala do menino. A responsvel legal, na verdade sua av, foi chamada para uma conversa e a criana encaminhada para uma fonoaudiloga. hoje, 10 meses depois, j visvel a melhora. um conforto saber que foi o nos-so trabalho que promoveu essa mudana afirma. Padro educacionalegressa da rede particular de ensino, Mnica aplica vrias tcnicas usadas nos bons colgios particulares para incrementar o aprendizado dos pequenos. As atividades ldicas so usadas de forma educativa na alfabetizao. para trabalhar a letra l, Monica levou as crianas para a cozinha e lhes ensinou a fazer suco de laranja. Algumas crianas nunca tinham tomado suco de fruta na-tural, preparado por elas ou por algum da fam-lia, lamenta. Presente na vida de vrias geraeso trabalho da Casa da Criana ultrapassa geraes. o enfermeiro osmrio Augusto Ara-jo, que pintou, como voluntrio, a fachada co-lorida da creche-escola, conta, orgulhoso, que ex-aluno, sua filha tambm foi aluna e, hoje, seu neto de trs anos tambm . ele disse que aprendeu a pintar com a gente, relembra a Irm Maria rita. Na equipe da Casa da Criana, dez professo-ras trabalham ao lado de 18 agentes educativas, uma psicloga, uma mdica pediatra, uma en-fermeira e a coordenadora pedaggica. A insti-tuio conta ainda com duas cozinheiras, duas auxiliares de cozinha e outros funcionrios ao todo 42 e com o trabalho de voluntrios. Doaes e parcerias para manter o larAdministrar uma instituio como a Casa da Criana, que recebe duzentas crianas a cada ano, requer mais do que disposio e dedicao. Irm Jeane Aparecida Gonalves pereira, que as-sumiu a direo este ano, diz que o maior desafio conseguir os recursos econmicos para manter a casa. Contamos com a parceria do Fundo de Manuteno e desenvolvimento da educao B-sica (Fundeb) e da oNG Instituto da Criana, que nos oferece o servio da psicloga e da pediatra, mas ainda no suficiente para tudo o que pre-cisamos, explica. diretora at o ano passado, a Irm Maria rita sabe bem disso. Mas, com o oti-mismo que lhe caracterstico, diz que teve sorte e recebeu muita ajuda. Na hora h, deus manda algum em nosso auxlio. preciso apenas ter pa-cincia, generosidade e f, conclui.No website www.larsaojose.org.br, esto relacionadas as maneiras de ajudar creche-escola. A instituio aceita doaes em dinheiro ou de alimentos no perecveis, de roupas e material de limpeza e de higiene pessoal, alm de brinquedos. Aqueles que no dispem de recursos financeiros, mas tm tempo e boa-vontade sobrando, tambm podem do-los, exercendo a bela funo de voluntrios. As crianas agradecem.nais que reduziu as chances do aparecimento do cncer de mama. para a mastologista Joyce Christina ribeiro de souza, do servio de Mastologia do hospi-tal so Vicente de paulo (hsVp), no possvel falar numa forma definitiva para a preveno do cncer de mama, principalmente quando h his-trico familiar e pessoal da doena, mas existem fatores, como sobrepeso e dieta rica em gordura, que aumentam as chances de seu aparecimen-to. No existe preveno em cncer da mama.Quando falamos em preveno, na verdade esta-mos falando de deteco precoce. No existe um ou mais fatores determinantes, mas, sim, uma s-rie deles, relacionados maior ou menor possibi-lidade, explica. existem alguns fatores em que podemos interferir, como obesidade, consumo de lcool, fumo e reposio hormonal por mais de cinco anos. Diagnstico precoceA mdica, que membro da so-ciedade Brasileira de Mastologia, explica que a deteco precoce ou preveno secundria a forma mais eficaz de combater o cncer de mama. Joyce ressalta que descobrir a doena nas fases iniciais inter-fere diretamente na taxa de mortalida-de, alm de pos-sibilitar um trata-mento mais efetivo e menos agressivo. e a forma mais con-fivel de deteco precoce hoje a realizao peridica o cncer de mama considerado hoje um dos tipos mais comuns da doena, res-pondendo por mais de 20% dos casos registrados a cada ano, segundo o Instituto Na-cional do Cncer (INCA). Apesar de no haver fa-tores determinantes para o surgimento da doen-a, existem alguns componentes que aumentam a possibilidade de sua ocorrncia, como idade avanada, gestao aps os 40 anos e obesida-de. uma nova pesquisa, realizada pelo hospital universitrio de south Manchester, na Inglaterra, aponta um impacto significativo na preveno do cncer em mulheres que se submetem a uma die-ta sem carboidratos em, pelo menos, dois dias da semana. os resultados foram apresentados durante o simpsio Internacional de Cncer de Mama, realizado em dezembro em san Antonio, nos euA.o estudo analisou 115 mulheres com sobrepeso e histrico de cncer de mama na famlia, que se subme-teram a uma dieta de baixa caloria e livre de alimentos com carboidra-tos, como po, arroz e batata. parte do grupo seguiu a dieta em todos os dias da semana, enquanto ou-tra parte, por apenas dois. em um ms, as mulheres do segundo grupo emagreceram em mdia, 4 kg, contra a mdia de 2 kg daque-las que mantiveram a dieta durante todo o tempo. Com a redu-o do peso, os pes-quisadores observa-ram uma alterao dos nveis hormo-Alimentao livre de carboidratos, duas vezes por semana, diminui o risco da doena.DIetA SAuDVel combAte o cNcer De mAmAhospital so Vicente de paulo - pg. 10da mamografia. o exame, tambm conhecido como radiografia de mama, o nico mtodo capaz de apontar ndulos que a mo ainda no capaz de identificar, as chamadas leses pr-clnicas. A chance de realizar tratamentos conservado-res, em que se preservam a maior parte da mama ou os gnglios axilares, maior nesses casos, aponta. As chances de cura de um tumor de menos de 1 cm podem chegar a 95%, mas essa probabilidade vai caindo conforme o tamanho do tumor vai aumentando.segundo um estudo realizado pela agncia de sade norte-americana (FdA, na sigla em in-gls), o exame capaz de apontar a formao de tumores de poucos milmetros, at dois anos antes de eles se tornarem palpveis. Ainda assim, segundo dados do INCA, o mal responsvel por altas taxas de mortalidade no pas, vitimando cer-ca de 12 mil brasileiras anualmente, grande parte devido falta de informao.Joyce recomenda que o exame seja realizado anualmente por mulheres acima de 40 anos. esse tipo de cncer relativamente raro antes dessa idade, mas os cuidados de preveno da mulher devem comear ainda na puberdade, com a rea-lizao dos exames de rotina com o ginecologista. J o autoexame no completamente descartado pelos mdicos, mas existe a ressalva de que ele no deve ser empregado como mtodo isolado de deteco do cncer, e sim acompanhado de outras estratgias, como a mamografia. A mastologista observa que, apesar de a ma-mografia ser o principal mtodo de deteco do cncer, a modalidade apresenta algumas limita-es, principalmente no caso de mulheres com seios mais densos ou que j tenham realizado algum procedimento cirrgico na regio das ma-mas. Nesses casos, a indicao a realizao de mtodos complementares, como ultrassono-grafia e ressonncia magntica, comenta. mamgrafo digitaldenise Kineippe Vieira, gerente de diagnstico e Tratamento do hsVp, lembra que essa necessida-de de complementao dos exames diminui com a adoo do mamgrafo com tecnologia digital. o novo equipamento, recm-adquirido pelo hos-pital, oferece uma srie de vantagens s pacien-tes. A nova tecnologia ajuda a superar queixas frequentes das pacientes, como dor e desconforto causados pela compresso da mama. Com mais qualidade na imagem, minimizamos a necessida-de de contrao do msculo durante o exame, permitindo maior conforto, explica. Alm disso, h outros ganhos, como o design flexvel, que fa-cilita o acesso a pacientes com cadeira de rodas; a rapidez na aquisio da imagem; e monitores de alta resoluo.de acordo com a especialista, outro benefcio da maior qualidade da imagem a reduo da necessidade de reconvocao para novos exa-mes. o equipamento conta com um sistema ca-paz de ressaltar determinadas reas da anatomia da mama para melhor detalhamento da imagem, tornando o diagnstico mais preciso, comenta denise. podemos ainda ampliar e reduzir a ima-gem, entre outros recursos que propicie uma me-lhor visualizao para o mdico.preveno - A partir da primeira menstruao, a mulher precisa se consultar anualmente com seu ginecologista, para a realizao de exames. du-rante a consulta, o profissional analisa alteraes e ensina a realizao do autoexame. SoBrepeSo - o maior percentual de tecido adi-poso induz uma elevada produo de estrognio. esse hormnio estimula a reproduo das clulas da glndula mamria, aumentando o risco do cncer. hiStrico famiLiar - Mulheres com casos de cncer na famlia tm 80% mais chance de desenvolver a doena, o que no significa que aquelas sem esse histrico esto imunes. radiao - A quantidade de radiao de uma mamografia muito pequena para causar qual-quer problema de sade. A mamografia continua sendo uma das formas mais eficazes de detectar o cncer nos estgios iniciais.verdadeS SoBre o cncer de mamahospital so Vicente de paulo - pg. 11denise Kineippe, gerente de diagnstico e Tratamentohospital so Vicente de paulo - pg. 12Febre: um bom SINAl De DeFeSA ImuNolgIcAA febre em crianas, motivo de tormento para muitos pais, , na verdade, um indicativo da boa forma do sistema imunolgico. Chefe do servio de pediatria do hsVp, Alberto elias Chacur, explica que o aumento da tempe-ratura um processo natural e contribui para o funcionamento do sistema imunolgico, ativando os anticorpos na defesa do organismo. por isso, segundo o pediatra, preciso estar atento a ou-tros sinais. Quando h febre, mas a criana est se alimentando bem e com energia para brincar, significa que o corpo est reagindo a algo errado, mas no necessariamente a algo grave. por outro lado, quando a criana est com temperatura de 37,8 graus em diante, acompanhada de outros sintomas, como prostrao, desconforto e vmito, o quadro requer ateno. para o mdico, que membro da sociedade Brasileira de pediatria, a febre deve ser interpre-tada como um sinal de alerta. Na maioria dos casos, apenas a medicao e a orientao do mdico j so suficientes, no havendo a neces-sidade de compressas de gua gelada ou banhos frios, explica. Caso a febre esteja acompanhada de outros sintomas ou perdure por mais de trs dias, a sim, os pais devem procurar seu mdico ou a emergncia peditrica mais prxima. Mensalmente, a emergncia peditrica do hsVp realiza cerca de 1,5 mil atendimentos, gran-de parte deles motivados pela preocupao dos pais com o estado febril de seus filhos. Na maioria dos casos, as crianas so medicadas e liberadas no mesmo dia. A febre isolada no determina a causa da doena. se no houver a presena de outro sintoma, o mdico pode indicar apenas um antitrmico e aguardar a evoluo do quadro, comenta Alberto Chacur.o mdico, contudo, faz uma ressalva sobre os recm-nascidos e bebs menores de seis me-ses, que ainda no tm o sistema imunolgico completamente desenvolvido e devem ser leva-dos ao mdico logo que houver uma elevao da temperatura acima de 37,8 graus. Nessa idade, qualquer quadro infeccioso bacteriano requer ateno imediata para que se possa antecipar o tratamento, afirma. o pediatra lembra ainda que existe um temor disseminado entre os pais de que febres altas po-dem gerar convulses, o que no passa de um exagero. As convulses febris acometem apenas 4% das crianas na faixa etria de 6 meses a 6 anos. Trata-se de um medo generalizado, mas casos como esses so exceo, declara. Alberto Chacur, chefe da pediatria do hsVphospital so Vicente de paulo - pg. 13Setor reestruturadoA emergncia peditrica do hsVp esteve fe-chada por 30 dias e passou por uma importante reestruturao. reaberta h dois meses, o setor j se encontra em pleno funcionamento, 24 horas por dia. o hospital investiu ainda na contratao de cinco novos pediatras, alm de 16 clnicos gerais, que atuam em esquema de planto. de acordo com a pediatra eliana diniz Calasans, a maior parte dos casos atendidos de baixa com-plexidade, como febre, diarreia e infeces res-piratrias, mas a emergncia est equipada com todos os recursos para atendimentos de mdia e alta complexidades. Aqui no hospital, contamos com todos os equipamentos para realizao de cirurgias ge-rais, ortopdicas e neurolgicas, como um par-que tecnolgico de ponta; um servio de ima-gem completo, com tomografia e ressonncia magntica; e laboratrio de anlises clnicas funcionando 24 horas, explica eliana. Temos ainda um Centro de Tratamento Intensivo (CTI) Neonatal e peditrico, para onde so encami-nhados os casos mais graves. esses fatores con-jugados garantem a segurana e a agilidade no atendimento prestado.A pediatra aponta ainda a estrutura da emer-gncia peditrica como um diferencial do hsVp. o espao foi reformulado e recebeu um cantinho redecorado para as crianas que aguardam aten-dimento. depois da reforma, o setor ganhou uma sala de espera com decorao mais ldica e pa-pis e lpis de cor para as crianas. A separao importante para tranquilizar os pacientes e fami-liares, que no dividem espao com os casos mais graves da emergncia peditrica, destaca a mdi-ca. outras caractersticas diferenciadas no atendi-mento do hsVp so a abordagem acolhedora dos mdicos, que so orientados a acalmar as crianas e os pais o mximo possvel, e o atendimento efi-ciente, sem longos perodos de espera. o que aponta a sociloga ldia Alice Medei-ros. em outubro, seu filho de 4 anos teve pneu-monia e ela precisou recorrer emergncia do hsVp. eu j apreciava o atendimento do hospital antes da reforma, principalmente por conta dos mdicos, que eram atenciosos e bem qualifica-dos, afirma. Agora, com a criao do espao reservado, as crianas e os pais ficam mais von-tade. Antes, quando a espera ocorria no corre-dor de acesso, era comum que crianas correndo atrapalhassem a passagem de macas. A nova for-mulao veio acrescentar qualidade ao servio.emergncia peditrica ganha novas dependncias, com uma nova sala de espera e recursos para o atendimento de alta complexidade hospital so Vicente de paulo - pg. 14revista do hsVp: Como comeou a sua histria com a oftalmologia?Fr: Quando comecei na faculdade, minha ideia era tratar de olhos, ouvidos, nariz e garganta. l pelo quinto ano, h 49 anos, um colega de turma disse que o pai de sua namorada era oftalmolo-gista e queria algum para acompanh-lo em seu trabalho no hospital Gaffre-Guinle. ele pergun-tou se eu estaria interessado, e aceitei porque a oftalmologia j era um dos meus objetivos. Mais tarde, outro colega resolveu formar um grupo para atuar no hospital da Cruz Vermelha Brasilei-ra e me convidou. Ali, eu comecei oficialmente a minha carreira profissional. Trabalhava nessa cl-nica e no hospital sousa Aguiar, como plantonista de emergncia. revista do hsVp: Ter os filhos trilhando o mesmo caminho que voc motivo de orgulho? Fr: Com certeza. Minha filha sempre disse que queria ser como o pai. e isso muito bom. e o meu filho foi bastante influenciado por mim para escolher a oftalmologia. Fez sua especializao no Canad, onde se casou, e hoje trabalha no departamento de retina da universidade de Mon-treal. Meu filho est muito bem profissionalmente. Ns, aqui no Brasil, que sentimos muitas sau-dades. revista do hsVp: Quais os momentos marcantes na carreira de um oftalmologista?Fr: h alguns anos, s se fazia a cirurgia quando o paciente j no estava mais enxergando. Como a tcnica no estava aperfeioada, a norma era aguardar. ento, havia aqueles casos espetacu-lares, emocionantes, de pacientes que repentina-mente recuperavam a viso. era gratificante.hoje, existe mais tcnica e menos emoo. Voc opera o paciente em cerca de 15 minutos e, na em 47 anos de profisso, o oftalmologista Flvio rezende enfrentou muitos desafios. o primeiro deles foi quando ele, filho de fa-zendeiro, saiu do interior do esprito santo para estudar medicina no rio de Janeiro, na antiga Fa-culdade Nacional de Medicina da universidade do Brasil, hoje universidade Federal do rio de Ja-neiro (uFrJ). era o incio de uma carreira coroada por conquistas, como a presidncia da sociedade Brasileira de oftalmologia e da sociedade Brasi-leira de Catarata e Implantes Intraoculares. frente do servio de oftalmologia do hos-pital so Vicente de paulo h 28 anos, ele se de-cidiu pela especializao em cirurgia de catarata depois de assistir apresentao do cirurgio norte-americano Charles Kelman, pai da tcnica da facoemulsificao (cirurgia com pequena inci-so), durante o Congresso Mundial de oftalmolo-gia, realizado na Itlia, l pelos anos 70. rezende ficou fascinado com a nova tcnica, que revo-lucionou a cirurgia de catarata. Fui o primeiro oftalmologista da Amrica do sul a fazer o curso dessa nova tcnica com o prprio dr. Kelman, em Nova York, nos estados unidos, revela. A inclinao pela medicina e a escolha da of-talmologia como especialidade, contagiaram a famlia. seus dois filhos, renata e Flvio, optaram por seguir a profisso do pai. Juntou-se a eles o genro, Tiago, tambm oftalmologista. exceo do filho que membro do departamento de re-tina do hospital da universidade de Montreal, no Canad -, hoje a famlia trabalha unida no hsVp, onde, s no ano passado, foram realizadas cerca de 780 cirurgias de catarata. Mdico empreende-dor e com viso profissional, rezende , tam-bm, professor titular de oftalmologia de escola Mdica de ps-Graduao da pontifcia universi-dade Catlica do rio de Janeiro (puC-rio). l que ele transmite seu vasto conhecimento tcnico a centenas de mdicos, h mais de 15 anos. Dr. FlVIo rezeNDeUM MDICO DE VISObradas dentro do olho, onde se abrem e ocupam o lugar do cristalino. revista do hsVp: para onde aponta a oftalmologia do futuro? Fr: um dos grandes desafios desenvolver uma tcnica cirrgica que corrija a chamada vista cansada, que atinge as pessoas acima dos 40 anos de idade. Atualmente, o que se faz uma cirurgia de catarata, em que se implanta uma lente multifocal, que corrige a viso para perto e longe. Mas essa cirurgia ainda no satisfatria. o que os pesquisadores buscam uma microci-rurgia que dispense as lentes intraoculares. em tese, o cirurgio faria uma inciso mnima, para aspirar o contedo da catarata, e injetaria, pelo mesmo orifcio, uma substncia que iria preen-cher esse espao, tomando a forma do cristalino. em seguida, o cirurgio fecharia, com uma cola orgnica especial, o orifcio mnimo que foi feito. Isso algo que est sendo pesquisado para o futuro. o resultado seria to fantstico que as pessoas nunca mais precisariam de culos ou de lentes intraoculares. seria a falncia das ticas (risos). revista do hsVp: Como concilia a vida acadmica com a prtica mdica?Fr: complicado. Voc tem que gostar de ensinar, de estar no meio dos estudantes. esse o meu caso. Fiz concurso para a escola Mdica de ps-Graduao da puC-rio e dou aulas l h uns 15 anos. Minha filha e meu genro tambm lecionam no Curso de ps-Graduao, porque o programa muito extenso. A parte prtica realizada em hospitais pelos alunos, mas ns damos a sustenta-o atravs do curso.maioria das vezes, usando apenas um colrio como anestsico. Terminada a cirurgia, o pacien-te levanta e vai embora para casa, frequentemen-te sem precisar de curativo. em poucas horas, sua viso j suficiente para que ele retorne a sua atividade normal. revista do hsVp: Que caso de cirurgia mais o marcou?Fr: Nos anos 90, eu tinha acabado de voltar de um congresso nos estados unidos, onde um dos professores falou da novidade da cirurgia da ca-tarata com anestesia tpica, ou seja, com uso de colrio anestesiante. um reprter da TV Globo me procurou no hsVp dizendo que a emissora tinha a notcia, que, nos estados unidos, estavam fazendo a cirurgia de catarata s com o colrio e queriam saber se isso era fato. pediram para filmar minha cirurgia com a anestesia tpica para o Jornal Nacional. Acabada a cirurgia, tirei o microscpio e espontaneamente a paciente comentou que j estava vendo tudo. Teve uma re-percusso enorme, na poca. Foi a pri-meira cirurgia oftalmolgica com aneste-sia tpica no rio de Janeiro e a primeira transmitida pela televiso.revista do hsVp: Como situa a oftalmolo-gia do hsVp?Fr: sem falsa modstia, um dos melhores servi-os de oftalmologia dos hospitais do rio de Janei-ro. Atendemos a cerca de mil pacientes por ms e temos todos os recursos e especialidades da oftal-mologia. utilizamos o que h de mais avanado em cirurgia de catarata, que, por sua vez, avan-ou extraordinariamente nos ltimos anos. A oftalmologia brasileira, sem dvida, est entre as melhores do mundo. Todo ano, um brasileiro premiado em congresso internacional, com tc-nicas novas, detalhes novos, estatsticas de acom-panhamento etc. Mas ainda faltam pesquisas no Brasil, e no s na rea da medicina.revista do hsVp: Que avanos foram esses?Fr: A cirurgia que o dr. Kelman lanou curava a catarata, mas deixava o paciente com alto grau de hipermetropia. Com o passar do tempo, a me-dicina avanou e foram desenvolvidas as lentes intraoculares. primeiro, vieram as lentes rgidas e, finalmente, as dobrveis, que so injetadas do-hospital so Vicente de paulo - pg. 15hospital so Vicente de paulo - pg. 16A universalizao da assistncia sade um direito que deve ser perseguido pela humanidade, reconhecido nos mais di-versos fruns. esse caminho requer aes es-pecficas relacionadas prpria rea da sade, bem como a outras, entre as quais se incluem a educao, a economia e a preservao am-biental.Infelizmente, o extraordinrio desenvolvimento cientfico e tecnolgico que teve lugar com o in-cio da revoluo industrial no se acompanhou de avanos sociais contemporneos, capazes de assegurar uma ampla utilizao comunitria dos benefcios conquistados nessa era. Vivemos num mundo dominado por desigualdades extremas, onde as metas almejadas no incio deste artigo afiguram-se, em determinadas circunstncias, quase como inatingveis.Nos dias atuais, a europa concentra a maior parte dos pases que conseguiram proporcionar s suas populaes amplo acesso aos servios de sade. setenta e cinco por cento dos recursos destinados a essa atividade no tm fins lucrati-vos. entre os modelos assistenciais que lograram alcanar tal objetivo destaca-se o da Alemanha, criado h mais de um sculo, na era de Bismark. o financiamento provm de parcelas das folhas de pagamento das empresas, para as quais con-tribuem empregados e empregadores. Tais con-tribuies so repassadas a fundos pblicos, no estatais, sem fins lucrativos e regulamentados por lei. so eles que proporcionam a seus assistidos o acesso a servios ambulatoriais e hospitalares, prestados por provedores autnomos. No Brasil, a inteno de universalizao do acesso aos servios de sade foi inscrita na Cons-Dr. Jos Acylino de Lima Neto (Chefe do Servio de Pneumologia do HSVP de 1982 a 2002; mestre em Medicina pela UFRJ; especialista em Planejamento e Administrao pela Escola Nacional de Sade Pblica.o moDelo Do HoSPItAl So VIceNte De PAulo como reFerNcIA PreStAo De SerVIoS De SADe No brASIlHSVPhospital so Vicente de paulo - pg. 17tituio de 1988, com a criao do sistema ni-co de sade (sus). oitenta por cento dos brasi-leiros so dependentes do sus, na medida em que no dispem de outro meio capaz de lhes proporcionar esse acesso. Contudo, embora ga-rantidos por um direito constitucional, na prti-ca, enfrentam os mais diversos tipos de entrave para exerc-lo. A reinvindicao de uma melhor assistncia sade aparece em primeiro lugar entre as princi-pais demandas da populao em diversos levan-tamentos de opinio pblica. A proliferao dos planos de sade, buscados pelos que tm meios para custe-los, conduziu o Brasil condio de o segundo mercado mundial desse tipo de ati-vidade. As gravssimas desigualdades que com-prometem a sociedade brasileira expressam-se claramente no sus; enquanto alguns conseguem acesso a procedimentos de alta complexidade, a maioria no consegue ser assistida em suas ne-cessidades mais elementares. esses fatos eviden-ciam a inequvoca precariedade do desempenho do sus.As dificuldades financeiras e o gerenciamento do sus tm sido amplamente apontados como as principais causas dessa situao. Na verdade, so interdependentes. o maior esforo para a superao da questo financeira foi desenvolvi-do pelo ex-ministro Adib Jatene, que conseguiu, no Congresso Nacional, a criao da CpMF, cuja destinao seria exclusiva para a rea da sade, o que, na prtica, nunca ocorreu. os re-cursos obtidos com a CpMF foram pulverizados no oramento federal e ela prpria foi extinta.Muito mais complexas so, ainda, as ativida-des gerenciais. sofrendo toda sorte de ingerncia poltica nas escalas federal, estadual e municipal, o sus uma verdadeira colcha de retalhos, em que autoridades do executivo, e mesmo do le-gislativo, com ideias desconexas e descontnuas, quase sempre desprovidas de qualquer embasa-mento tcnico, se propem a execut-las sem o menor escrpulo. Fica claro que o sus funcio-na ao arbtrio do fisiologismo poltico e das mais desqualificadas ambies pessoais. dessa forma, expe-se o contraste entre o sistema brasileiro e o alemo, ambos pblicos e sem fins lucrativos. enquanto o primeiro tem se mostrado muito mais vulnervel a todas essas prticas, o segundo j nasceu estruturado para coibi-las. Torna-se fun-damental a rediscusso do nosso modelo. A Igreja Catlica tem uma importncia his-trica e nica na assistncia sade no Brasil. Fundamentada no amor ao prximo, princpio bsico do cristianismo, construiu inmeras ins-tituies sempre destinadas a prover cuidados misericordiosos aos que sofrem em decorrncia das mais diversas enfermidades. o hospital so Vicente de paulo alia em sua atuao essa dou-trina ao empenho em assegurar o acesso de seus pacientes aos recursos tcnicos de que necessi-tam para a recuperao da sade. unidades com esse perfil so essenciais a qualquer sistema de sade qualificado, que deve sempre conjugar o melhor padro tcnico indispensvel assistncia humanitria.lamentavelmente, no se tem conhecimento de que esteja em curso, em nossa sociedade, a discusso de qualquer proposta visando im-prescindvel reestruturao da assistncia pblica sade no pas. Nesse contexto, a iniciativa da Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil, que elegeu a sade pblica como tema da Campanha da Fraternidade para o ano de 2012, reveste-se de uma importncia extraordinria. ela atende aos anseios das camadas menos favorecidas dos brasileiros, que so as maiores vtimas das not-rias deficincias amplamente conhecidas. A As-sociao e o hospital so Vicente de paulo tm todas as qualificaes para participar intensa-mente dessa campanha, divulgando a relevncia de suas atividades e encaminhando sua proposta para a indispensvel remodelao da sade p-blica no pas.NoVo SIStemA De INFormtIcAMais agilidade e segurana ao atendimento mdicoimagens digitalizadas de raios X e ultrassonogra-fias, prescrio de medicamentos e grficos com as condies clnicas, para consult-los sempre que precisar, diz. diretora mdica do hsVp, eliane Castelo Bran-co, est otimista quanto aplicabilidade do sis-tema. Com a integrao dos processos ligados prescrio eletrnica - como checagem do his-trico clnico do paciente e administrao de me-dicamentos -, os mdicos podero ter ainda mais segurana e velocidade nas prescries, aposta. Adriana Costa, gerente de enfermagem do hsVp, acrescenta que, ao concentrar todas as informa-es sobre o paciente, de sua chegada at a bei-ra do leito, o novo sistema poder solucionar importantes conflitos de informao, ampliando o acompanhamento de cada etapa do cuidado ao paciente. para a rea administrativa, o controle tam-bm a principal vantagem trazida pelo sistema Tasy. Com a integrao e disponibilidade das informaes da Contabilidade, do Faturamento e de todos os demais setores do hsVp, conquistamos mais controle e transparncia em nosso processo de trabalho, refora a gerente de suprimentos do hsVp, olga oliveira. A participao de todas as equipes do hospital vem sendo fundamental para o sucesso da implantao do novo sistema, e a expectativa de que, at julho de 2012, todos os setores estejam totalmente integrados.desde janeiro de 2011, um novo sistema de informtica comeou a ser operacionaliza-do no hsVp, envolvendo gradativamente as reas administrativa e assistencial. desenvolvido pela empresa Wheb sistemas, o Tasy segue par-metros utilizados internacionalmente, mas flexvel o suficiente para se adaptar realidade dos hospi-tais brasileiros. para a diretora executiva do hsVp, Ir. Marinete Tibrio, o Tasy traz uma valiosa contribui-o para a gesto do hospital, ao mesmo tempo que garante mais agilidade, controle e segurana s rotinas de atendimento mdico. Comeamos o processo de escolha em 2009 e buscamos uma tecnologia que respondesse s necessidades tcni-cas da nossa instituio. A implantao est sendo um grande desafio, mas os ganhos em segurana e controle de processos j so visveis, observa.Gerente de Tecnologia da Informao do hsVp, Andr Mallmann destaca a capacidade da nova ferramenta tecnolgica de gerar integrao entre as reas que, antes, trabalhavam separadamente e mantinham controles isolados. desde a implan-tao, a flexibilidade do sistema permitiu que fos-sem feitas integraes importantes, com o sistema pACs (de diagnstico por imagem), com as senhas eletrnicas e a dispensao de medicamentos, por exemplo. o objetivo chegar a um nvel de inte-grao to completo que possibilite ao mdico ter disponveis na tela do computador todo o histrico do paciente, resultados de exames laboratoriais, 1010000001010100000000010101000000000000000000101010000000000000A DeDIcAo DoS colAborADoreS FoI eSSeNcIAl PArA o SuceSSo Do NoVo SIStemAhospital so Vicente de paulo - pg. 19Jornada de fisioterapiarealizada em 21 de outubro, a Jornada de Fisioterapia do hsVp, coordenada pela fisioterapeuta denise portugal, teve como tema Atualidades em Fisio-terapia e sua interao com as diversas reas mdicas. os fisioterapeutas Mauro lus Melo pinto, Ccero Mello, Fernando lus Alves, Gilden pereira Jnior e roseli Miranda, do servio de Fisioterapia do hsVp, e outros convi-dados palestraram sobre avanos no tratamento de patologias osteomuscu-lares, neonatologia e afins.31 anos do hSvpo Centro de Convenes Irm Mathilde, do hsVp, abrigou uma celebrao muito especial no ltimo dia 4 de novembro: o aniversrio de 31 anos do hospital so Vicente de paulo. o evento teve incio com uma missa comemorativa, que foi celebrada pelo padre Francisco Valdemiro. A programao foi aberta ao pblico e contou com forte participao da comunidade.Semana da QualidadeForam dois dias de intenso debate sobre qualidade e ampliao da segurana do paciente por meio de mensurao, anlise e aprimoramento dos processos clnicos e administrativos. A semana da Qualidade do hsVp, que ocorre anualmente desde 1997, tem o objetivo de propor melhorias no gerenciamento de indicadores das instituies de sade. A ideia conseguir uma definio mais clara sobre o que medir e como tomar decises, com base na informao gerada, para que as instituies de sade possam realizar escalas de comparao com outras instituies nacionais e internacionais.o coordenador de Qualidade do hsVp, Vanderlei Timb, ressalta que esses indicadores no devem ser vistos apenas como ferramentas gerenciais. so eles que indicam a segurana e a eficincia do servio das instituies de sade no cuidado com os pacientes, garante. entre os mdicos presentes ao evento estavam o coordena-dor do programa Farol de Indicadores de de-sempenho do sindicato dos hospitais, Clnicas e Casas de sade do Municpio do rJ (sIN-dhrIo), Joo lucena, o gerente da Qualida-de do hospital Copa dor, Willian Vianna, e o cardiologista ro-grio sad, que falou sobre indicadores para preveno do trombo-embolismo venoso.ACoNTeCeuJornada multidisciplinar A cada ano, a Jornada Multidisciplinar do hsVp se consagra como um dos mais importantes fruns para troca de experincias e integrao en-tre mdicos e profissionais de vrias reas da sade. Nos dias 8 e 9 de dezembro, dezenas de profissionais se revezaram em palestras e mesas-redondas para apresentar estudos e pesquisas relativas aos diferentes aspectos que envolvem os casos de emergncia clnica e cirrgica. os cuidados multidisciplinares com pacientes em estado crtico, com diverti-culite aguda, e com doenas coronarianas agudas, alm dos mais recen-tes medicamentos, apresentados pela indstria farmacutica, estiveram no centro dos debates. o presidente do Centro de estudos do hsVp e coordenador do evento, Cyro rodrigues, ficou satisfeito com a repercus-so. o nvel dos palestrantes foi excelente e as discusses certamente agregaram informaes importantes para as mais de 400 pessoas que aqui estiveram, comemorou o cardiologista.1010000001010100000000010101000000000000000000101010000000000000www.sbcom.com.br

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